Alta Inadimplência: Como Melhorar a Decisão de Crédito?
Com a alta da inadimplência, bancos priorizam crédito de menor risco. Entenda como Open Finance e dados podem tornar a decisão mais precisa.

Alta inadimplência e crédito mais seletivo: restringir risco ou enxergar melhor?
A alta da inadimplência levou grandes bancos privados a reforçar a preferência por modalidades de crédito de menor risco, especialmente aquelas apoiadas por garantias ou mecanismos que tornam o pagamento mais previsível. A resposta faz sentido do ponto de vista de gestão de risco, mas também levanta uma questão importante: quando o cenário exige mais seletividade, restringir a concessão é a única alternativa ou é possível melhorar a forma de identificar quem realmente tem capacidade de pagar?
Segundo reportagem do UOL Economia sobre os balanços do segundo trimestre de 2026, Itaú, Bradesco e Santander deram maior atenção a linhas como consignado, financiamento de veículos, imóveis e outras operações com garantias. A reportagem também mostrou crescimento das provisões para perdas e avanço da inadimplência em parte das carteiras.
Na visão da Teros, esse movimento evidencia um problema central da concessão de crédito: em momentos de maior risco, a qualidade da informação usada na decisão se torna ainda mais importante.
Garantias reduzem determinadas exposições. Dados melhores podem ajudar a reduzir incerteza antes mesmo da concessão.
O que os balanços dos grandes bancos mostram sobre a inadimplência?
Os dados apresentados pelo UOL indicam uma postura mais cautelosa na composição das carteiras de crédito.
No segundo trimestre de 2026, as despesas relacionadas à Provisão para Devedores Duvidosos, conhecida como PDD, cresceram aproximadamente:
22,6% no Bradesco, chegando a R$ 9,98 bilhões;
11,5% no Santander Brasil, chegando a R$ 7,65 bilhões;
7,4% no Itaú, chegando a R$ 10,1 bilhões.
A reportagem também mostra mudanças nos atrasos superiores a 90 dias. No Santander, o indicador passou de 2,6% para 3,3%. No Bradesco, avançou de 4,1% para 4,3%. No Itaú, permaneceu em 1,9%.
Ao mesmo tempo, os bancos direcionaram maior atenção a linhas consideradas mais previsíveis ou respaldadas por garantias.
O Bradesco destacou capital de giro com garantia, consignado privado e veículos. O Itaú relacionou o crescimento da carteira de pessoas físicas principalmente ao crédito imobiliário e ao consignado.
Não significa necessariamente que as instituições deixaram de conceder crédito.
A própria reportagem apresenta uma interpretação mais precisa: trata-se também de uma mudança nos critérios de alocação de risco, com preferência por carteiras consideradas mais resilientes e previsíveis.
Por que créditos com garantia ganham espaço quando o risco aumenta?
Garantias adicionam uma camada de proteção à operação. No consignado, por exemplo, a forma de pagamento reduz parte da incerteza associada à cobrança porque as parcelas são descontadas diretamente da renda elegível. Em financiamentos de veículos e imóveis, o próprio bem participa da estrutura de garantia.
Isso ajuda a entender por que essas modalidades podem ganhar relevância em momentos de deterioração dos indicadores de crédito.
Segundo os dados do Banco Central citados pelo UOL referentes a junho de 2026, a inadimplência era de 3,2% no consignado, 6,6% na aquisição de veículos e 2,3% nas operações com garantias, enquanto modalidades como o rotativo do cartão e o cheque especial apresentavam índices muito superiores.
Priorizar operações mais protegidas é, portanto, uma resposta possível ao aumento do risco, mas não é a única dimensão que pode ser trabalhada. Outro caminho está em tornar a própria análise de crédito mais informada.
Crédito mais seletivo precisa significar menos aprovação?
Não necessariamente. Ser mais seletivo significa diferenciar melhor os perfis de risco. O problema aparece quando essa seletividade é baseada em poucas variáveis.
Uma política de crédito excessivamente dependente de critérios estáticos pode excluir clientes capazes de pagar e, ao mesmo tempo, não identificar corretamente todos os sinais de deterioração financeira.
É o chamado falso negativo: a operação recusa um cliente que poderia cumprir a obrigação porque o modelo não possui contexto suficiente para avaliá-lo.
Um score tradicional pode continuar sendo uma fonte relevante, mas ele não precisa ser a única.
A Teros aborda essa evolução no artigo Open Finance e Personalização: O Novo Motor do Crédito, que explica como informações financeiras consentidas podem complementar modelos tradicionais e permitir uma análise mais individualizada.
A questão central deixa de ser apenas “como aprovar menos?” e passa a ser “como distinguir melhor bons e maus riscos?”.
Por que o nome limpo não conta toda a história?
Ausência de negativação não é sinônimo automático de capacidade de pagamento. Da mesma forma, um histórico desfavorável em determinado momento não resume necessariamente toda a situação financeira atual de uma pessoa.
Uma análise de crédito precisa considerar que risco é contextual. Entre duas pessoas sem restrições cadastrais, uma pode ter fluxo financeiro previsível e baixo comprometimento de renda, já outra pode apresentar obrigações relevantes em diferentes instituições.
Se o modelo não enxerga essas diferenças, as duas podem receber tratamentos semelhantes. É justamente nessa lacuna que dados mais recentes podem contribuir.
No Motor de Crédito da Teros, informações de bureaus podem ser combinadas a Open Finance, comportamento e dados internos em um score combinado, com políticas configuráveis para cada produto ou perfil de risco. A decisão não precisa depender de uma única fotografia.
Como o Open Finance pode ajudar a enxergar capacidade de pagamento?
Com o consentimento do cliente e dentro das finalidades autorizadas, o Open Finance permite acessar dados financeiros estruturados que podem complementar a análise tradicional.
Dependendo do escopo autorizado, podem existir informações relacionadas a contas, transações, cartões, produtos financeiros e investimentos.
A infraestrutura Open Finance da Teros pode conectar esses dados a jornadas de onboarding e crédito, transformando informações financeiras em variáveis utilizadas pela esteira de decisão.
Na prática, isso pode ajudar a observar elementos como:
recorrência de entradas financeiras;
comportamento de fluxo de caixa;
compromissos existentes;
movimentações financeiras;
relação entre receitas e despesas;
exposição a diferentes produtos financeiros.
Esses elementos não substituem a política de crédito, eles ajudam a dar mais contexto a ela.
O artigo Além do Open Finance: Como Transformar Seus Dados em Decisões de Score e Preço aborda justamente esse ponto: receber dados é apenas o começo. O valor aparece quando eles são convertidos em variáveis relevantes para score, precificação e decisão.
Open Finance reduz inadimplência automaticamente?
Não. Open Finance é uma fonte adicional de informação. O resultado depende de como esses dados são tratados e incorporados à política de risco.
Uma operação pode receber grande quantidade de informações e ainda assim tomar decisões ruins se as regras forem inadequadas.
Para que os dados contribuam para a gestão de risco de crédito, é necessário combiná-los com:
critérios de concessão;
modelos de score;
políticas de limite;
precificação;
dados cadastrais;
sinais antifraude;
comportamento da carteira;
monitoramento posterior à concessão.
Esse é um ponto importante para evitar interpretações simplificadas. Mais dados não significam automaticamente mais aprovações ou menor inadimplência, significam mais informação potencial para diferenciar riscos, desde que exista uma infraestrutura de decisão capaz de utilizá-la.
Como transformar dados financeiros em decisão de crédito?
Uma boa esteira não termina na coleta de dados. As informações precisam chegar ao motor de decisão de forma estruturada.
Um fluxo pode incluir:
recebimento da proposta;
validação cadastral e de identidade;
consulta a bureaus e fontes oficiais;
acesso a dados de Open Finance, quando houver consentimento;
tratamento e categorização dos dados;
geração de variáveis de risco;
composição de score;
aplicação da política de crédito;
definição de limite e condições;
registro do racional da decisão.
No Motor de Crédito da Teros, proposta, dados, score, política, decisão e formalização podem operar dentro de uma mesma esteira.
Isso também permite trabalhar políticas diferentes por produto. Consignado, cartão, crédito pessoal, capital de giro ou financiamento não precisam ter a mesma lógica de risco; uma política configurável permite calibrar fontes, pesos e regras de acordo com cada modalidade.
Garantia e informação precisam ser tratadas como alternativas?
Não. Garantia e dados respondem a problemas diferentes.
A garantia busca reduzir a exposição da instituição caso a obrigação não seja cumprida. A informação busca melhorar a capacidade de avaliar o risco antes e durante o relacionamento. Em uma operação madura, as duas coisas podem coexistir.
Mesmo em crédito com garantia, entender renda, fluxo financeiro, compromissos e comportamento pode ser relevante para definir valor, limite e condições.
O ponto não é substituir garantias por Open Finance, é evitar que a garantia seja usada como compensação para uma decisão com pouco contexto.
Por que monitorar a carteira também importa?
A gestão de risco não termina quando o crédito é aprovado, a situação de um cliente pode mudar ao longo do relacionamento. Por isso, informações posteriores à concessão também são relevantes.
O comportamento de pagamentos, por exemplo, gera novos sinais que podem ser utilizados em revisões de limite, novas ofertas ou monitoramento de risco.
A Teros discute esse ciclo no artigo Pagamentos Viraram Dados: O Impacto em Crédito e Relacionamento.
A lógica é contínua: dados alimentam decisão, decisão gera uma operação, a operação produz novos dados e esses dados podem alimentar decisões futuras.
Quando crédito e pagamentos e cobrança estão conectados, a instituição pode construir uma visão mais completa da jornada financeira.
O que muda quando a política de crédito consegue enxergar mais?

Em um cenário de inadimplência crescente, endurecer critérios pode reduzir exposição. Mas regras mais rígidas e pouco granulares também podem reduzir oportunidades que não representariam necessariamente um risco elevado.
Uma política mais informada permite segmentar melhor.
Em vez de um único corte baseado em poucas variáveis, a instituição pode trabalhar com combinações de bureau, Open Finance, histórico, comportamento e dados próprios. Isso também pode apoiar a definição de condições diferentes conforme o risco.
Um cliente pode receber um limite menor. Outro pode receber prazo diferente. Uma operação pode exigir garantia adicional. Outra pode não ser aprovada.
O objetivo não é aprovar todos. É fazer com que a decisão reflita melhor as informações disponíveis sobre cada operação.
Tome decisões de crédito com mais contexto e menos pontos cegos
Os resultados do segundo trimestre de 2026 mostram que a qualidade das carteiras voltou ao centro das decisões dos grandes bancos. Com aumento das provisões e avanço da inadimplência em parte das operações, priorizar linhas mais previsíveis é uma resposta compreensível ao risco.
Mas um cenário mais desafiador também reforça a importância de enxergar melhor quem está solicitando crédito.
Garantias ajudam a proteger a operação. Dados consentidos via Open Finance podem complementar a análise de capacidade de pagamento. Motores de decisão permitem transformar essas informações em políticas, scores e condições diferentes para cada risco.
A Teros conecta Open Finance, bureaus, comportamento e dados internos em uma infraestrutura de decisão financeira com políticas configuráveis e trilha auditável.
Conheça o Motor de Crédito da Teros e veja como estruturar uma decisão de crédito baseada em mais contexto, do dado à concessão. Entre em contato ou preencha o formulário abaixo.
Fonte: UOL Economia - Alta na inadimplência faz grandes bancos focarem em crédito de menor risco (Alexandre Novais Garcia).
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