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Painel de Demanda e Preços Teros: efeito do lockdown e evolução da crise
12 de abril de 2021 9 min de leitura

A grande incógnita da atual crise do ponto de vista econômico é sua duração e seu impacto na demanda de preços de produtos, serviços e de segunda ordem. A despeito da discussão política nesse ponto, é certo que a pandemia do COVID-19 alterou profundamente hábitos de vida e de consumo de curto prazo e não é clara a dimensão desse movimento e em que medida isso será retomado
Estamos falando de um horizonte em dias e semanas, o que explica a incerteza nesse momento e o encurtamento brutal do horizonte de planejamento.
Em um cenário tão incerto e sendo tão necessários parâmetros para a condução dos negócios, a Teros decidiu abrir temporariamente ao público alguns dados e análises de curtíssimo prazo hoje disponibilizados apenas aos clientes dos produtos Reajuste e Expansão. Esses dados permitem minimamente acompanhar esse processo em curtíssimo prazo, para que as empresas entendam o que está ocorrendo em termos de demanda e possam conduzir suas estratégias de caixa, gestão de preços e dimensionamento de suas equipes. Nosso objetivo é contribuir para evitar decisões erradas e minimizar o impacto social da crise. Ao longo da semana, dados com maior defasagem serão incluídos na análise, dando um quadro adequado de como está evoluindo a economia doméstica. Acesse a área de Artigos de nosso site para acompanhar.
A) Gasto das famílias:
Cartão de crédito
- Boom de consumo na semana passada, com aumento dos gastos de quase 50%, seguido de uma forte retração na margem, que ainda está acelerando. Na última semana, o nível de gastos está por volta de 10-15 pp abaixo do esperado.
- Famílias usaram o cartão de crédito para financiar estoque de bens no processo de preparação da quarentena, já que o movimento não se repetiu no débito.
Fonte: CIP. Elaboração Teros
Cartão de débito- Aumento muito menor de transações na preparação da quarentena, sugerindo que famílias ou não tinham saldos para financiar estoques ou priorizaram preservar liquidez no primeiro momento.
- Queda na margem de mais de 30% ontem sugere retração ainda maior nos próximos dias, em linha com a liquidação de transações de crédito não antecipadas mais recentes, sugerindo retração muito acentuada de serviços pessoais spots e alimentação fora de casa (pagos majoritariamente com débito).
Fonte: CIP. Elaboração Teros
Boletos
- Meio de pagamento associado ao consumo de serviços pessoais recorrentes e de consumo das empresas. Mostra uma retração muito acentuada, de quase 60% na margem (30% na média da última semana), indicando que famílias e empresas podem estar represando pagamentos na incerteza do cenário.
- Processo ainda acelerando indica que melhoria do mercado nos últimos dias não se refletiu minimamente nas expectativas dos agentes, implicando um desafio para inadimplência.
Fonte: CIP. Elaboração Teros
B) Hábitos de vida Um aspecto extremamente importante é acompanhar as mudanças de hábitos dos consumidores sob stress. Isso impacta o perfil de consumo acentuadamente e modifica fundamentalmente o posicionamento de preços de portfólios de produtos das empresas. A Teros divulgará uma série de artigos ao longo dos próximos dias sobre o tema, com indicações de mudanças, timings e tempos de reversão. Nesta visão mais agregada, destacamos:- Aumento impressionante no uso de dados (internet) pelas famílias, em linha com maior tempo disponível no domicílio. Este indicador é o que primeiro reagiu à mudança de hábitos das famílias, constituindo-se em um bom indicador antecedente em um processo de volta à normalidade.
Fonte: IX
- Mudança na curva de consumo de energia, com aumento substancial do gasto energético doméstico, indicando a dimensão do lockdown no país.
Fonte: ONS. Elaboração Teros
- Consequente aumento dos pedidos por e-commerce/apps é muito significativo, com tendência a dobrar de tamanho.
Fonte: Google Trends
C) Atividade produtiva Gasto de energia elétrica na produção- Queda no consumo de energia nas atividades comerciais e industriais estimada da ordem de 27,9% na semana (Sudeste e Centro Oeste) em relação à semana anterior mostra que impacto sobre produção será substancial. Em outras regiões, impacto foi menor, com o Sul registrando queda de 23,3%.
- Dados mostram um deslocamento acentuado da curva de consumo de energia elétrica para baixo, com maior impacto no horário comercial, o que permite estimar uma queda mais acentuada da demanda de negócios.
Fonte: ONS. Elaboração Teros
- Ao longo do mês, queda estimada para consumo empresarial é ainda maior. Queda maior no sul associada a queda também na demanda doméstica, em linha com a redução das temperaturas médias (e uso do ar condicionado).
Fonte: ONS. Elaboração Teros
C) Conclusões- Queda na atividade econômica ainda está em curso. Necessário aguardar dia a dia para começar a ter uma ideia do fundo do poço e de velocidade de reversão. Mas dados de consumo de energia já sugerem retrações marginais menores nos últimos dias, especialmente no SE e Sul. Nas demais regiões ainda se espera um significativo processo de ajuste.
- Teros manterá os dados disponíveis diariamente para permitir que as empresas acompanhem esse processo e possam planejar suas ações.
- Serviços é claramente o segmento mais afetado, mas contas mensais parecem ter entrado no processo de entesouramento de famílias e empresas, indicando algum grau de contágio. Queda na atividade se dá a despeito da venda acentuada de bens na última semana como parte do processo de estocagem prévio ao lockdown.
Recomendações
- Cenário se mostra particularmente desafiador, já que há uma mudança muito abrupta de parâmetros de custo (dólar e custo de capital), liquidez, preferências de compra (stress do consumidor) e níveis de produção simultanelamente.
- Neste momento, individualmente, o equilíbrio de nash enquanto não se tem um horizonte definido é “sentar no caixa”, apertando ainda mais a liquidez das empresas e famílias no agregado. Otimismo e pessimismo do mercado financeiro – que reflete a preocupação com o custo do processo – oscilará em função da maior ou menor certeza quanto ao horizonte de retomada. O mesmo vale para a disposição a gastar das firmas e consumidores.
- Enquanto este cenário persistir, estratégias defensivas de pricing são as mais adequadas. Em termos gerais:
- Entender que a dinâmica não é idêntica entre regiões é essencial para minimizar perdas.
- Entender a essencialidade do bem final na hierarquia do consumidor é fundamental para definir a estratégia adequada de preços neste momento. Em linhas gerais, nossa recomendação é que repasse de preços e margens neste momento pode ser feito apenas nos itens menos essenciais, com forte impacto sobre vendas, mas importante para posicionamento.
- Promocionamento para gerar caixa deve ser usado com cuidado. Há uma gama de produtos em que isso é factível. Em outras é apenas desespero, com efeitos de longo prazo.
- Defesa de caixa passa por manter ativação de produtos e aproveitamento usual nessas situações de melhora na qualidade média do mix de marcas comprada por clientes em situação de stress.
- Serviços têm um cenário incrivelmente desafiador. Duração da crise é essencial para avaliação do impacto e grau de desmobilização de ativos. Acompanhar a dinâmica de consumo será essencial para entender o novo equilíbrio.
- Inadimplência deve pressionar o caixa nos próximos meses, de modo que uma gestão adequada dos meios de pagamento é essencial para uma gestão adequada de risco.
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