Falta de Informação, Não Risco: O Verdadeiro Gargalo do Crédito no Brasil
O presidente da ABBC afirma à Forbes que o Open Finance resolve o maior problema do crédito brasileiro: a falta de informação. Entenda os números e o que vem a seguir.

Falta de Informação, Não Risco: O Verdadeiro Gargalo do Crédito no Brasil, Segundo o Presidente da ABBC
Todo mundo fala em risco quando o assunto é crédito no Brasil. Mas, segundo Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em entrevista à Forbes Brasil, o verdadeiro gargalo é outro: falta de informação. Sem dados suficientes sobre o cliente, o banco fica conservador. Conservador demais, o crédito seca. E sobra bom pagador de fora do sistema, mesmo tendo capacidade real de pagar.
A saída apontada pelo executivo é o Open Finance, e os números que ele cita mostram por que essa não é uma promessa distante, mas uma infraestrutura já rodando nos bastidores do sistema financeiro brasileiro.
Os Números do Open Finance Brasileiro
De acordo com Vilain, o Open Finance já superou 110 milhões de consentimentos únicos, número que chega a aproximadamente 160 milhões quando somados todos os tipos de consentimento registrados. O volume de trocas de dados autorizadas entre instituições varia entre 10 e 12 bilhões de chamadas por semana, no que ele descreve como demonstração clara do sucesso do sistema.
Hoje o Brasil já soma mais de 100 milhões de contas conectadas ao ecossistema. Para colocar esse número em perspectiva, o desenho inicial do Open Finance brasileiro se inspirou no modelo do Reino Unido, que atendia uma base de aproximadamente 10 milhões de clientes quando o projeto começou como solução de troca de informações entre sete instituições financeiras. Segundo Vilain, essa é justamente a vantagem de não ser o primeiro a adotar o modelo: dá para corrigir rota e fazer melhor.
O resultado desse amadurecimento colocou o Brasil como o segundo maior ecossistema de Open Finance do mundo, com maturidade de 77%, segundo o Global Open Finance Index da Universidade de Oxford.
Por Que Falta de Dados é Igual a Falta de Crédito
O raciocínio de Vilain é direto e vale ser detalhado, porque conecta um problema estrutural do crédito brasileiro a uma solução concreta que já está em produção. Bancos e instituições financeiras tomam decisão de crédito com base em informação disponível sobre o cliente. Quando essa informação é escassa ou fragmentada entre diferentes instituições, o modelo de risco tende a ser conservador por padrão, simplesmente porque não tem visibilidade suficiente para avaliar a real capacidade de pagamento daquela pessoa ou empresa.
Isso gera um efeito silencioso e caro: bons pagadores ficam de fora do sistema de crédito, ou recebem condições piores do que mereceriam, não porque representem risco real, mas porque a instituição não tinha dado suficiente para ver isso com clareza. O Open Finance ataca exatamente esse ponto, permitindo que, com o consentimento do cliente, informações financeiras completas circulem entre instituições e alimentem uma análise de crédito automatizada mais precisa.
Vale notar que esse não é um problema exclusivo de pessoas físicas. No crédito para pequenas e médias empresas, a assimetria de informação costuma ser ainda maior, já que muitos negócios não têm histórico bancário consolidado em uma única instituição. Uma análise de crédito b2b que depende apenas dos dados que o próprio banco já possui sobre aquela empresa tende a subestimar sistematicamente a capacidade real de pagamento de negócios saudáveis, simplesmente por falta de visibilidade sobre movimentações feitas em outras instituições.
A Próxima Fase é Para Dentro: IA Sobre a Base do Open Finance
Depois de construir a infraestrutura de dados, o próximo passo, segundo Vilain, é olhar para dentro dela. A fase que vem agora envolve aplicar inteligência artificial sobre a base de dados já disponível no Open Finance, com modelos capazes de prever a necessidade de crédito do cliente antes mesmo de ele pedir.
Essa é uma mudança relevante de postura para o setor: sair de um modelo reativo, em que o banco espera o cliente solicitar crédito para então avaliar o risco, para um modelo proativo, em que a instituição já identifica, com base em dados de Open Finance, o momento e o perfil de crédito adequado para cada cliente.
Onde a Teros Atua Nessa Equação
É exatamente nesse ponto, entre a infraestrutura de dados do Open Finance e a decisão de crédito, que a Teros atua. A proposta é transformar dados de Open Finance, sempre com o consentimento do cliente, em decisão de crédito e pagamento por meio de um motor de decisão de crédito capaz de enxergar a capacidade real de pagamento de cada pessoa ou empresa, em vez de recuar por falta de visão sobre o cliente.
Na prática, isso significa conectar a plataforma open finance que sustenta os mais de 100 milhões de contas citadas por Vilain a uma esteira de crédito capaz de processar esse volume de dados em decisões consistentes, rápidas e seguras. Sem essa camada de análise e automação, mesmo a infraestrutura mais robusta de Open Finance não se traduz automaticamente em mais crédito para quem realmente pode pagar.
O Que Isso Significa Para Bancos, Fintechs e Correspondentes
A fala do presidente da ABBC reforça um ponto estratégico para qualquer instituição que decide crédito no Brasil: o problema raramente é falta de bom pagador no mercado, é falta de visibilidade sobre quem ele é. Isso muda o foco de investimento de times de risco e produto, que precisam se perguntar menos "como reduzir mais o risco" e mais "como enxergar melhor o cliente que já está diante de mim".
Instituições que ainda dependem de poucas fontes de dados para decidir crédito tendem a manter modelos mais conservadores do que precisariam ser, perdendo bons clientes para concorrentes que já integraram Open Finance à sua esteira de decisão. Já quem trata a integração open finance BCB como parte central da estratégia de crédito, e não apenas como exigência regulatória, tem hoje uma vantagem competitiva concreta e mensurável.
Transforme Dados de Open Finance em Decisão de Crédito com a Teros

O diagnóstico do presidente da ABBC confirma o que a Teros aplica no dia a dia de bancos, fintechs e correspondentes bancários: o Open Finance já resolveu o problema de acesso ao dado, e o próximo desafio do mercado é transformar esse dado em decisão de crédito precisa e automatizada. Conheça a solução de análise de crédito e Open Finance da Teros, entre em contato conosco ou preencha o formulário abaixo.
Fonte: Forbes Brasil - "É o Maior Mercado do Mundo com Sobra": o Retrato do Open Finance Brasileiro, Segundo o Presidente da ABBC (Camila Pati, 21/07/2026).
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