‘Open Banking’ tem agora desafio de buscar engajamento. Usuários precisam ver benefícios na adesão, confiar no sistema e aprender a utilizá-lo

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Um ano após o lançamento, o “Open Banking”, ou sistema financeiro aberto, ainda dá os primeiros passos no sentido de cumprir sua promessa de ampliar e baratear a oferta de produtos financeiros no país

Foto acima: Vilain, da Febraban: soluções devem começar a surgir no segundo semestre — Foto: Silvia Zamboni/Valor

 

Um ano após o lançamento, o “Open Banking”, ou sistema financeiro aberto, ainda dá os primeiros passos no sentido de cumprir sua promessa de ampliar e baratear a oferta de produtos financeiros no país. Em meio a ajustes de cronograma, o primeiro ano de existência foi marcado por grandes esforços de implementação. A expectativa é que efeitos mais concretos comecem gradativamente a ser sentidos daqui para frente, embora de forma ainda incipiente.

 

Neste ano, seguem as etapas de desenvolvimento do sistema. Além disso, seu pleno funcionamento depende ainda do enfrentamento de uma série de desafios, entre eles, o de comunicação. Para que a iniciativa tenha sucesso no país e possa incentivar, de fato, a criação de novas soluções, é preciso engajar o usuário, já que é ele quem dá a autorização para que suas informações sejam compartilhadas. Assim, pessoas físicas e jurídicas precisam enxergar benefícios na adesão, confiar no sistema e aprender a usá-lo de forma segura.

 

“O valor maior é que o projeto está em andamento e já traz alguns benefícios para o cidadão”, afirma o coordenador do grupo de trabalho de open banking da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Rogerio Melfi. Para ele, já é possível sentir efeitos indiretos da iniciativa porque as empresas precisaram se preparar para as mudanças que virão no futuro. “O mercado começa a melhorar seus produtos, atendimento, fazer a lição de casa.”

 

Quem atua nesse mercado acredita que neste ano as instituições ainda estarão muito focadas em cumprir as exigências regulatórias. Aquelas que já estão habilitadas, no entanto, podem começar a “virar a chave” e pensar em como extrair valor das bases de dados. Já a criação de produtos específicos vinculados ao sistema deve ficar para um segundo momento.

“As empresas estão correndo atrás de conseguir fazer o básico, se conectar, mas as que já estão operacionais estão começando a buscar soluções de governança e inteligência de dados”, afirma Juan Ferrés, fundador da Teros, empresa que desenvolve soluções de tecnologia para Open Banking.

Diretor executivo de inovação, produtos e serviços bancários da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Leandro Vilain tem uma visão semelhante. Para ele, em 2022 as empresas conseguirão pensar mais em como usar essas informações para melhorar o processo de tomada de decisões. Vilain acredita que a iniciativa terá reflexos inicialmente nos algoritmos decisores de crédito, e os profissionais autônomos devem estar entre os primeiros beneficiados. “Para esse grupo, isso fica mais tangível já no início do segundo semestre.”

 

Para Ferrés, apesar dos esforços necessários para a implementação, o que ficou para trás foi “a parte fácil”. “A parte difícil agora é criar produtos e serviços que, de fato, mudem a experiência do usuário a partir do open banking.” Ou seja, é preciso saber o que fazer com as informações e com o padrão de conexão criado pelo BC.

 

Os especialistas minimizam a possibilidade de o sistema não engrenar no país. Recentemente, o open banking no Reino Unido, maior exemplo para a iniciativa brasileira em termos de tecnologia, foi criticado por Anne Boden, fundadora e CEO do banco digital Starling. Ela afirmou que a iniciativa fracassou porque não há demanda de consumidores e nenhuma instituição conseguiu criar um modelo de negócios lucrativo.

 

Para quem atua no mercado, apesar de sempre haver riscos, é preciso considerar que o Brasil está seguindo alguns caminhos diferentes do britânico, como na padronização das APIs (interfaces usadas para o compartilhamento das informações). Além disso, parece haver um interesse maior tanto das instituições quanto da população pelas inovações que a iniciativa pode trazer.

 

Matéria inicialmente publicada no Valor Econômico.

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