Como o mundo está aderindo ao Open Banking?

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À medida que os países continuam a adotar o Open Banking, isso acelera a transição para um mundo financeiro mais transparente, com melhores produtos e serviços.

Os países estão explorando o Open Banking e criando versões que funcionam para sua população e seu sistema financeiro. À medida que os países continuam a adotar, isso acelera a transição para um mundo financeiro mais transparente, com melhores produtos e serviços.

 

Reino Unido e Europa foram precursores desse movimento, no entanto muitos outros países estão trabalhando na criação de sua própria infraestrutura de Open Banking, colaborando com provedores de serviços terceirizados (TPPs) e incentivando o compartilhamento de dados entre bancos e TPPs.

 

O Open Banking tem seguido duas grandes linhas, orientado pelo mercado ou regulado. Todas as iniciativas de Open Banking compartilham o objetivo de abrir os dados da conta bancária para terceiros confiáveis para impulsionar a inovação e melhorar a experiência do cliente. Em todos os casos, as APIs são usadas para fornecer a solução técnica: abrir o acesso aos dados bancários.

 

Os países e regiões diferem na forma como implementam os padrões bancários abertos, bem como na funcionalidade e no escopo dos dados que podem ser acessados por meio de suas APIs. Por razões políticas, práticas e regulatórias, não há dois países ou regiões que abrem o sistema bancário da mesma maneira. Dando uma volta ao mundo, podemos ver como Open Banking está rodando além do Brasil.

 

União Europeia e UK

A Diretiva de Serviços de Pagamento “The Payment Services Directive” é uma lei europeia que foi aprovada em 2007 e atualizada em 2015 (PSD2). O PSD2 entrou em vigor em diferentes estados membros da UE através do Payment Services Regulations (PSRs). O Open Banking é regulamentado no Reino Unido pela Financial Conduct Authority (FCA), usando esses PSRs.

 

O PSD2 e os PSRs resultantes deram aos clientes o direito de solicitar a terceiros efetuar pagamentos em seu nome (Serviços de Iniciação de Pagamentos ou PIS) e acessar seus dados financeiros (Account Information Services ou AIS).

 

No entanto, alguns requisitos do PSD2, como regras sobre consentimento, podem diferir significativamente dos requisitos encontrados no GDPR e em outras leis europeias, levando a uma falta de harmonização e até confusão para consumidores, reguladores e instituições financeiras.

 

No Reino Unido, a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) criou uma camada adicional de regulamentação para os nove maiores bancos do Reino Unido (que atendem 99,9% da população do Reino Unido). O CMA disse que esses bancos, conhecidos como ‘CMA9’, devem cumprir os PSRs (Payment Services Regulations – Regulamentação europeia para pagamentos eletrônicos de serviços) construindo APIs – e que devem construí-los de acordo com uma determinada especificação ou padrão, que os próprios bancos precisam desenvolver. 

 

Para facilitar isso, foi criada a Entidade de Implementação do Open Banking (OBIE). O OBIE desenvolveu o Open Banking Standard com os bancos, bem como diretrizes de experiência do cliente que diziam aos bancos como implementar a autenticação forte do cliente (SCA).

 

Coreia do Sul (República da Coreia)

O sistema bancário aberto na Coreia do Sul foi lançado oficialmente em dezembro de 2019. É gerenciado e controlado pela Comissão de Serviços Financeiros (FSC). Os serviços bancários abertos foram habilitados para bancos de poupança e provedores de cartão de crédito, mas o governo pretende cobrir instituições de investimento financeiro e outros provedores de serviços financeiros digitais. Os consumidores poderão acessar todos os serviços bancários, como saques e transferências, usando apenas um aplicativo de smartphone. 

 

Índia

O Open Banking da Índia é mais híbrido. A infraestrutura é conhecida como “Índia Stack”, uma iniciativa tomada há quase uma década em 2011. O objetivo do India Stack é promover a inclusão de neobancos e outros provedores de serviços de tecnologia financeira e aumentar a concorrência. Simultaneamente, visa melhorar a prestação de serviços financeiros à população indiana. A Índia implementou com sucesso o sistema Unified Payment Interface (UPI) em 2016. A plataforma móvel permite que os usuários conectem suas contas bancárias a carteiras móveis registradas, liberando pagamentos e transações digitais. 

 

Austrália

Em julho de 2020, a Austrália lançou sua primeira fase de Open Banking com a introdução do Consumer Data Right (CDR). Como o OBIE do Reino Unido, sob o sistema CDR, os cidadãos australianos podem dar consentimento a terceiros regulamentados para acessar seus dados financeiros de seu banco de serviços e outros provedores de serviços financeiros, que detêm suas informações financeiras. O CDR de Open Banking é regulado pela Australian Competition and Consumer Commission (ACCC). O objetivo é aumentar a concorrência, permitindo que terceiros, como empresas de fintech, desenvolvam novos aplicativos e serviços.

 

Canadá

Em 2018, o Governo do Canadá nomeou um comitê para revisar o Open Banking para o Canadá. A pesquisa sobre o Open Banking canadense ainda está em andamento. Privacidade do consumidor, segurança e possível violação de dados continuam sendo as principais preocupações do governo canadense.

 

Hong Kong

Como a maioria dos países, a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA) vem pressionando pela adoção do Open Banking. O HKMA visa oferecer acesso aberto a dados, informações de conta e opções de pagamento. Além disso, tende fornecer aos bancos e outros provedores de serviços terceirizados (TSPs) a liberdade de projetar e desenvolver suas próprias APIs. 

 

A abordagem do HKMA é mais liberal, permitindo que os bancos locais entrem na era do Open Banking. O Open API Framework da HKMA é uma abordagem de quatro fases que abrirá os serviços financeiros gradualmente para terceiros.

 

Apesar do lançamento do Open API Framework, a pesquisa da Accenture mostra que apenas 32% dos consumidores de Hong Kong (em uma amostra de 2.010) estão cientes do conceito de Open Banking.

 

Japão

O Japão começou a trabalhar em seu ecossistema de Open Banking em 2015, mas em 2017 a Lei Bancária foi atualizada duas vezes. Seguiu-se o lançamento de uma estrutura para regular os pagamentos eletrônicos e a abertura do Departamento de Desenvolvimento e Gestão Estratégica para elaborar uma nova estratégia de serviços financeiros com fintechs. Embora alguns dos principais bancos japoneses e empresas de tecnologia financeira (fintech) tenham começado a experimentar APIs para construir parcerias e participar de ecossistemas digitais, muitos bancos ainda precisam se tornar membros do ecossistema de Open Banking do Japão.

 

A economia do Japão é altamente centrada em dinheiro, com quase 80% das transações sendo baseadas em dinheiro. 

 

Cingapura

O governo de Cingapura está comprometido com uma abordagem orgânica em relação ao Open Banking. Com isso, ajudará Cingapura a se tornar um centro financeiro digital inteligente internacional. A Autoridade Monetária de Cingapura (MAS) está incentivando as instituições financeiras a usar APIs. Os bancos também estão adotando essa mudança e criando APIs para fazer parte do ecossistema de open banking.

 

Por exemplo, o Development Bank of Singapore (DBS) oferece mais de 200 APIs que permitem possibilidades de pagamento e empréstimo com empresas como Grab, PropertyGuru e McDonald’s. Atualmente, na terceira e quarta fase de sua estrutura Open API, o HKMA pretende ter seu ecossistema de Open Banking em 2022.

 

Nova Zelândia

A Nova Zelândia lançou sua iniciativa de open banking no início de 2018. Ao contrário do Open Banking do Reino Unido, a abordagem da Nova Zelândia é mais liderada pela indústria/mercado com apoio do governo.

 

Como passo inicial, o governo propôs um plano piloto de open banking em colaboração com bancos e empresas de tecnologia populares da Nova Zelândia. Os bancos eram BNZ e ASB, e empresas de tecnologia, TradeMe, Datacom e Paymark. Essa associação mais tarde ficou conhecida como ‘Payments NZ’, um programa de centro de API. O governo da Nova Zelândia está tentando ao máximo acelerar o ecossistema de Open Banking.

 

América Latina (LatAm)

Segundo o Banco Mundial, 50% da América Latina não tem acesso a serviços bancários adequados. No entanto, o Open Banking pode ser uma ponte possível. Enquanto o Brasil está fazendo grandes progressos, o México ainda não tem clareza sobre seus prazos de implementação.

 

No México, a Comisión Nacional Bancaria y de Valores (CNBV) publicou as primeiras regras do Open Banking em março de 2020. Porém, acredita-se que ainda levará anos até que o Open Banking se torne uma realidade. Enquanto isso, inovadores e fintechs contam com alternativas fornecidas por plataformas de API. Espera-se que a América Latina seja uma das regiões mais férteis para a inovação em fintech. 

 

Estados Unidos da América (EUA)

A National Automated Clearing House Association (NACHA) dos EUA, que administra e governa a rede ACH (Automated Clearing House é o código usado para envios de dinheiro entre diferentes bancos dentro dos Estados Unidos, o equivalente ao TED e DOC no Brasil), pensando em fornecer um sistema de depósitos e pagamentos diretos inteligente e melhor, criou o ‘Afinis’. Atualmente, a Afinis fornece nove APIs relacionadas a pagamentos. 

 

Mesmo com a presença dessas APIs e de TPPs (Trans-Pacific Partnership é um acordo de livre-comércio estabelecido por doze países, onde trabalham com diversas questões políticas e econômicas), os EUA ainda está no estágio inicial de sua potencial evolução. Isso se deve principalmente à falta de um impulso regulatório direto. Atualmente, muitos bancos nos EUA não estão dispostos a compartilhar dados de clientes, pois isso pode afetar negativamente seus negócios. No entanto, se houvesse um órgão regulador como o OBIE (Open Banking Implementation Entity) do Reino Unido, isso aceleraria a adoção do Open Banking nos EUA. O modelo americano é orientado pela indústria financeira e não é mandatório.

 

No entanto, as entidades reguladoras estão recomendando que os bancos construam suas APIs. Citibank, BBVA, Capital One, Wells Fargo já estão desenvolvendo suas APis e irão migrar do modelo de scraping. 

 

Open Banking não é uma jornada fácil em nenhum lugar do mundo, mas os bancos devem embarcar nele mais cedo ou mais tarde.

Os bancos devem reconhecer que estavam até então protegidos e que os mercados estão se transformando para se tornarem espaços abertos e interligados com diversos provedores. Confira mais sobre essa relação e seus impactos baixando o nosso e-book exclusivo.

Se você está ansioso para pensar em inovar em seu negócio, criar suas próprias APIs de Open Banking ou melhorar sua infraestrutura bancária de negócios, a equipe de profissionais qualificados da Teros pode ajudar.

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